Projeto revelado: a Editora Urso fará tradução de autobiografia de serial killer do século XIX

A Editora Urso revela hoje qual é afinal o seu misterioso projeto de publicação – cujo qual vem compartilhando aos poucos algumas curiosidades ligadas a ele.

Trata-se da tradução do livro de 1895 escrito por um dos maiores assassinos da história.

A tradução será feita por Aukai Leisner, professor e tradutor, colabora com o blog Lavra Palavra, com traduções de textos de política, filosofia e psicanálise. Além dele, a produção está sendo feita por Lua Bueno Cyríaco com a supervisão editorial de Tarik Alexandre (ambos responsáveis pela publicação dos livros Jusan’nin Isshû – treze poemas do Ogura Hyakunin Isshû e Horror Oriental, lançados respectivamente pela Editora Urso e Editora BuruRu, ambas incubadas pelo Laboralivros).

H. Holmes, o homem que nasceu com o diabo em si

Henry Howard Holmes, como ficou conhecido o dito primeiro serial killer da história dos Estados Unidos da América, teve seus crimes expostos no ano de 1894, quando foi preso.

Esse livro não se trata de uma versão romanceada da história desse personagem real, mas sim das palavras do próprio assassino.

Escrito entre 1894 e 1895, o então Henry Howard Holmes – que na verdade era apenas um dos muitos nomes falsos de Herman Webster Mudgett – confessa então boa parte de seus crimes, omitindo em um primeiro momento alguns, visto que a própria polícia ainda não tinha conseguido estabelecer quantas mortes de fato causara. Entretanto, sua sentença sendo determinada com a pena de morte por enforcamento, ele “continua” sua autobiografia confessando assim 27 assassinatos. Posteriormente, ele teria dito que poderia ter matado mais de 200 pessoas.

As palavras de Holmes jamais poderão ser levadas como verdade absoluta, trata-se aqui de um narrador completamente não confiável.

Jamais saberemos se ele matou apenas 27 pessoas ou realmente 200. Visto seu histórico de crimes 27 seria um número modesto – àquela época as tecnologias de forno empregadas no Castelo, o comprovado uso de ácido pela presença dos galões no porão e também a ineficiência investigativa devido aos poucos métodos científicos confiáveis, de certo deram cabo de várias evidências – sugerindo que na realidade haveria muitas mortes mais. Porém, não podemos esquecer que Holmes também fora seduzido pela própria fama, e aceitado o incentivo financeiro oferecido pela imprensa (e pelo editor que publicou seu livro) para confessar seus assassinatos. Se ele morreria por 27, por que não então confessar que matara 200?

A história de Holmes ganhou tal magnitude que milhares de especulações foram feitas, acerca de tudo: seu passado, sua sede de sangue e suas vitimas. Não bastasse o final do século XIX ter fortificado o peculiar gosto pela literatura de mistério, as mortes de pessoas relacionadas ao caso de Holmes foram encaradas pelo público como um tipo de maldição e de fato, dois médicos legistas que foram testemunhas e contribuíram diretamente para a condenação de Holmes morreram pouco tempo depois, assim como o superintendente do caso. Além de mortes e acontecimentos estranhos ocorridos com pessoas ligadas ao caso, como o cadáver de um dos padres que o atendeu na prisão encontrado no quintal sob circunstâncias misteriosas, do pai de umas das vitimas que acidentalmente pegou fogo, da destruição de uma das empresas de seguros, morte de delatores… a lista que segue é intrigantemente longa).

Claro que sua famosa frase corroborou para toda essa aura de terror e mistério:

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“Eu nasci com o diabo em mim. Eu não pude evitar o fato de que eu era um assassino, não mais do que um poeta pode evitar a inspiração ou um homem intelectual a ambição de ser grande. A inclinação do assassinato veio-me tão naturalmente como a inspiração para fazer as coisas certas vem para a maioria das pessoas. O mal estava ao lado da cama quando eu era trazido ao mundo e ele tem estado comigo desde então”.

O projeto da Editora Urso é trazer a tradução do texto integral escrito por Holmes e publicado em 1895, em uma tradução ainda inédita no Brasil, através do financiamento coletivo no Catarse. Ao apoiar o projeto e escolher como recompensa o livro, você o receberá independente da meta!

Mas cuidado, ao ter em mãos as palavras do Dr. Henry H. Holmes, não se deixe seduzir pela sua dissimulação. Esse homem nasceu com a terrível capacidade de enganar e tirar tudo o que quisesse de suas vítimas. Esse não é um romance, é uma história macabra da vida real.

save the date revelação PEQ

Fica aí a lembrança de que dia 4 de Abril, a campanha será lançada, podendo receber apoios. Save the date! 😉

 

 

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